quarta-feira, 29 de junho de 2011

José Carlos, atleta Run&Fun, na Meia de Genebra



Este ano, no dia 15 de maio, tivemos um atleta participando da meia de Genebra. Foram 5700 participantes, correndo pelas ruas suíças, sob os olhares de um público de 45.000 pessoas.

Confira abaixo o relato de José Carlos!

Genebra, nos pés dos Alpes, no coração da Europa e um colírio para os olhos

Neste ano resolvi passear de trem pela Europa durante a primavera no hemisfério norte, e para melhor aproveitar a viagem, decidi que deveria correr uma meia maratona por lá. No período desejado (2ª quinzena de maio) duas opções surgiram: Gotemburgo (Suécia) e Vinhateira do Rio Douro (Portugal), ambas no dia 22/maio. A 1ª descartei por ser no norte da Europa, um pouco fora da rota de minha viagem, e a opção pela meia do Porto ganhou força, apesar de várias reclamações que encontrei na “internet” sobre a edição de 2010 desta prova, principalmente por falta de água nos poucos postos de abastecimento, devido ao forte calor que fez.

Não me agradava também correr no dia 22/maio, pois seria no meio de minha viagem e preferia mais no inicio. Mas eis que, lendo a edição da revista Contra Relógio de janeiro, descobri uma nova opção: a meia maratona de Genebra, no dia 15 de maio. O site da corrida ainda não estava totalmente pronto, mas pelo filme disponível sobre a edição de 2010, pude verificar o potencial da prova e decidi me inscrever, o que foi feito via web e com o valor da inscrição em torno de R$100,00. Depois da inscrição, periodicamente, passei a receber e-mails sobre a prova.

Num mesmo evento são realizadas quatro corridas: no Sábado às 14:00h ocorre a “La Genevoise”, uma corrida de 6 km para as 1ªs 800 mulheres que se inscreverem na maratona ou na meia-maratona. Depois às 15:10h tem a largada para a “Kids Run”, com a participação de 150 crianças, que correm de 500m a 3 km. No Domingo às 8:30h tem a largada da maratona e no mesmo local às 10:30h ocorre a largada da meia-maratona. Em 2011 foi realizada a 7ª edição da prova, que pretende estar entre as 15 melhores e maiores maratonas da Europa até 2015. Neste ano o total de participantes foi superior a 5.700, de 90 nacionalidades diferentes e apenas 60% residentes na Suíça.



Mas voltando à viagem, no dia 11 de maio embarquei de São Paulo com destino a Paris. Após chegar e passear pelas margens do Rio Sena, ao ver várias pessoas treinando lembrei-me de uma reportagem recente que passou no Fantástico (Rede Globo), sobre um apresentador que precisa perder alguns quilos controlando a alimentação e realizando exercícios físicos, e um dos capítulos mostrou este apresentador treinando neste mesmo local.

No Sábado, dia 14, embarquei no Lirya, um TGV (trem-bala), cuja velocidade chega a 320 km/h e numa viagem confortável de 3 horas cheguei a Genebra. Os dias em Paris estavam lindos, ensolarados, mas a chegada em Genebra foi debaixo de uma fina garoa. Deixei a bagagem no hotel e fui para o local de entrega dos kits. Tudo bem próximo e os turistas ainda recebem dos hotéis um passe que lhes permite utilizar os transportes públicos gratuitamente pelo período que permanecerem hospedados. Da mesma forma que se preocupam com saúde e educação, os governos europeus preocupam-se também com os transportes e, como ocorre na maioria das cidades europeias, em Genebra o serviço de transportes também é operado pelo governo.

A retirada do kit transcorreu sem filas, sem problemas, tudo bem organizado, mas uma decepção, o que eu já desconfiava confirmou-se: não haveria camisetas, sequer para os participantes da maratona. Fora isto, um kit normal, com o número de peito e o chip. Foram fornecidos mapas sobre a cidade e informações precisas sobre o deslocamento até a largada. No meu caso, forneceram horários precisos até os minutos que o “bonde” passaria na parada próxima do meu hotel, e ainda avisaram-me que se eu perdesse o bonde das 9:09h, não haveria tempo de utilizar o guarda-volumes, e se eu perdesse o das 9:25h não chegaria a tempo para a largada.

O Domingo amanheceu com sol, a temperatura não passou dos 15 graus, e corri com camiseta de meia manga. O deslocamento até a largada foi sem problemas, no bonde só haviam corredores, a largada foi num local mais afastado (Chene-Bourg), no meio de um bairro residencial com muitas árvores.

Na largada encontrei um grupo de brasileiros de Porto Alegre, que no Domingo anterior participara da meia-maratona de Berlin e aproveitou para correr também a meia de Genebra. A reclamação deles foi com a monotonia da cidade. Realmente Genebra é considerada uma das cidades mais estéreis da Europa, com relação à diversão e emoção. A largada ocorreu sem problemas e começamos a correr em direção ao campo numa paisagem de perder o folego, indescritível. Quando não era uma típica vila suíça, era uma estrada no meio de plantações, com os Alpes como pano de fundo, e apesar da fama de frieza dos europeus senti muita vibração nos mais de 45.000 espectadores da prova.

A aproximadamente cada 4,5 km havia postos de abastecimento, com água e isotônico. No km 9 havia também gel e nos kms 13,2 e 17,6 bananas e laranjas. No 1º posto de hidratação tomei o isotônico oferecido num copo de plástico aberto, um líquido amarelo meio amargo, mais parecendo um chá. Nos postos seguintes só tomei água. Depois de correr 5 km em direção ao campo, voltamos para a direção do lago, o qual atingimos no km 10, e a partir dai voltamos correndo em volta do mesmo. Próximo ao km 13 cruzamos a 1ª ponte sobre o Rio Rhône, num total de 5 travessias de pontes, até o km 20 já do outro lado do lago e prontos para o “sprint” final de 1km, sempre ao lado do Lago de Genebra, também chamado de Lago Léman. Consegui terminar a prova em 2:00 horas dentro de minha expectativa.

Na minha faixa de idade (60-70 anos) havia 68 corredores e terminei em 31º. O corredor mais idoso tinha 76 anos. Na chegada só havia medalhas para os participantes da maratona e o kit recebido incluía bolo, cereais, frutas, alguns brindes e dentre eles um foi bastante providencial, pois, de repente, nuvens formaram-se e caiu uma chuva por uns 10 minutos, logo após eu receber uma capa de chuva da “Tribune de Genève”.

Na oportunidade encontrei mais brasileiros: um grupo de Florianópolis e um casal de Salvador. Cumprida a missão, caminhei por aproximadamente 1 km até o hotel, relaxei por meia hora num banho de imersão em água quente e depois fui curtir novamente Genebra. Aproveitando que existem muitos portugueses residindo e trabalhando por lá, fui comer um bacalhau do Porto, depois visitar o centro histórico, passear de barco no lago etc. No dia seguinte a viagem continuaria por um dos lugares mais bonitos da Europa: os Alpes Suíços. Uma coisa eu posso garantir: se inscrevam para a edição desta prova em 2012 que não se arrependerão (www.genevemarathon.org).



Obrigado Zé! Incríveis as suas palavras, a clareza que mostra na paixão por correr!

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