quinta-feira, 22 de março de 2012

Um bom exemplo de prevenção.


Na semana passada um jogador de futebol de um grande time do Brasil foi impedido de continuar fazendo atividade física competitiva devido às alterações nos testes cardiológicos de rotina.

O jogador foi submetido a um teste ergométrico (teste de esteira) que serve para avaliar o comportamento elétrico do coração durante esforço físico, além de contemplar outras variáveis fisiológicas. Durante o esforço o jogador apresentou uma taquiarritmia (taqui = rápido arritmia = distúrbio do ritmo do coração), ou seja o coração ficou acelerado e fora do ritmo normal. Há dezenas de tipos de taquiarritmias, porém classificamos elas em dois grandes grupos, as taquiarritmias supraventriculares (iniciadas acima dos ventrículos) e as taquiarritmias ventriculares (iniciadas nos ventrículos).

A grande maioria das arritmias supraventriculares são benignas e não têm o potencial de causar morte súbita, nem no esforço. Entretanto as taquiarritmias ventriculares assustam um pouco mais e geralmente as mortes súbitas nos atletas estão relacionadas a elas.

Durante o teste, o atleta apresentou uma taquiarritmia ventricular, sem parada cardiorrespiratória e foi impedido de se exercitar para investigar melhor o quadro e tratar. Pouco foi divulgado sobre os detalhes do diagnóstico e do tratamento, mas provavelmente será submetido a estudo eletrofisiológico e ablação do foco da arritmia. Esse procedimento é realizado por especialistas em arritmia / eletrofisiologia e consiste em “queimar” com catéters o foco da arritmia. A causa desse problema pode ser várias e o diagnóstico final é possível através de exames específicos conduzidos pelos cardiologistas.

Mais um evento cardiológico adverso envolvendo atletas. Dessa vez, durante avaliação periódica exemplificando a importância dessa prática. Parabéns à comissão médica que assiste esses jogadores pelas ações preventivas. Mais uma vida salva, ufa!


Henrique Grinberg
Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e pelo Instituto do Coração – HC-FMUSP.
 Médico Cardiologista do Hospital Sírio Libanês.
henrique.grinberg@hotmail.com

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