segunda-feira, 18 de junho de 2012

Atestado médico semestral é necessário?


Há uma semana, no jornal Folha de São Paulo, saiu uma matéria sobre a nova lei ( 11.383/1993 ) sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab que exige a renovação semestral do atestado médico para a prática de ginástica nas academias da cidade de São Paulo. Por quê ou para que ? Me perguntei ao ler a reportagem.

A matéria contempla os pontos de vista dos atletas, dos médicos e dos donos das academias. Para alguns atletas a obrigatoriedade de ser avaliado por um médico semestralmente lhes dá segurança com relação ao andamento da saúde, além de conhecerem objetivamente os benefícios que os exercícios lhes proporcionam. Entretanto, uma grande parte dos atletas se sentem desconfortáveis com a nova lei e até mesmo desestimulados pela “dificuldade” em ser avaliado. Isso gerou um problema administrativo para alguns donos de academias que com medo de perder seus alunos, criaram um serviço médico direcionado para o atendimento dos alunos e responsável por atestarem aptidão ou não. E os médicos o que pensam ?

Um defendeu a medida, outro achou um exagero. Como cardiologista defendo a necessidade da avaliação física periódica, porém a semestralidade não se adequa para todos e inclusive pode ser prejudicial para quem realmente não necessita. Maior custo, perda de tempo, exames desnecessários e as vezes até iatrogenia são os prejuízos que uma pessoa pode ter ao ser submetido a uma consulta desnecessária. Por outro lado, há pessoas que se beneficiariam de avaliações clínicas periódicas e as vezes com periodicidade até menor do que 6 meses.  Pessoas com problemas crônicos de saúde, usuários de medicações, com antecedentes familiares de doença cardiovascular e morte súbita, que praticam exercícios no contexto da reabilitação cardíaca, idade avançada e pessoas que se tornaram sintomáticas em algum aspecto.

Na verdade o bom senso é que deve prevalecer. E a sugestão que deixo é a obrigação da avaliação clínica para iniciar a atividade física. O médico nessa avaliação deve determinar qual a periodicidade que cada pessoa deve repetir a consulta e deixar claro isso no documento que será entregue na academia. A medicina deve ser individualizada. Para um jovem de 25 anos saudável, sem antecedentes e assintomático, com avaliação inicial satisfatória para a prática de exercícos, repetir a avaliação em seis meses não faz sentido. Em contrapartida para uma senhora de 70 anos que faz academia para reabilitação cardiovascular após um infarto, nova consulta em seis meses pode ser considerado um enorme risco. Mais uma do nosso prefeito Gilberto Kassab. Daqui a pouco ele vai criar a taxa dos atestados, aguardem.

Boa semana a todos !

Henrique Grinberg
Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e pelo Instituto do Coração – HC-FMUSP.
 Médico Cardiologista do Hospital Sírio Libanês.
henrique.grinberg@hotmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário